As Receitas de um Conteúdo de Cinema – O Filme - LFMORAU

As Receitas de um Conteúdo de Cinema – O Filme

As Receitas de um Conteúdo de Cinema – O Filme

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O percurso para que um filme produza (ou não) resultados.

A razão da existência dessa indústria vai além da arte ou entretenimento, tem um aspecto menos glamoroso, na ótica dos puristas e, mais prático, pela expectativa dos investidores – A menos que os filmes ganhem dinheiro, os recursos para produzir conteúdo ficarão escassos!

Mas por onde transita esse dinheiro?

Parece simples, pois o recurso vem quase inteiramente das pessoas comuns, como nós. A dificuldade é como fazer para o dinheiro sair dos nossos bolsos para os cofres dos estúdios de cinema.

 

Vamos navegar por alguns caminhos, dos mais óbvios até os mais complexos:

Bilheteria

bilheteria

 

 

 

 

 

O Distribuidor de um filme normalmente fica com a metade do preço do ingresso. O grande Exibidor possui escala suficiente para pressionar as Distribuidoras, mas o pequeno Exibidor tem que se adequar às regras impostas por essas mesmas Distribuidoras. A regra se inverte quando se trata de uma pequena Distribuidora com um menor poder de pressão e barganha.

Os filmes buscam espaço de exibição “first run”, pois nas primeiras semanas é quando o lançamento faz grande parte de seu faturamento, mas é claro que eles podem permanecer por várias semanas ou meses, e muitas vezes retornar em seções especiais.

Isso tudo sem considerar que esse sistema, também se remunera com pedidos de “garantia mínima”, um valor básico para cobrir o custo de administração do distribuidor. Sendo assim o percentual de bilheteria pode oscilar para cima ou para baixo, dependendo do filme, de quem distribui e se é um lançamento ou “second run”.

Existe um outro componente, o VPF – “Virtual Print Fee”, que não nos aprofundaremos neste artigo, pois seria necessária uma imensa dissertação sobre o tema.

 

Bombonieri

Bombonieri

 

 

 

 

 

Em um multiplex, os custos são elevados e apenas o valor dos ingressos não é suficiente para obter e manter as margens de lucro desejadas pelo Exibidor.

Vários Exibidores têm tentado todos os tipos de iniciativas para cortar despesas gerais, desde diminuição da jornada de exibição e consequente Equipe de profissionais, até a automação de todos os sistemas operacionais e de projeção. Essas ações surtem efeito, mas possuem um limite máximo, sem que comprometa a qualidade e segurança dos processos.

Neste cenário, a bomboniere se torna incrivelmente importante para o cinema, pois é com a elevação do mark-ups de preço, que o Exibidor regula a saúde financeira do seu empreendimento.

A Lei possibilita que o público traga seu alimento ou bebida, mas a grande maioria acaba optando por consumir os itens oferecidos dentro do complexo de cinema, seja por comodidade, esquecimento ou constrangimento.

Vale ressaltar que o comportamento de compra de alimentos e bebidas fora do cinema não é tão marcante em complexos cinematográficos localizados em praças nobres. Apesar da liberdade de levar o seu próprio alimento, muitos não o fazem seja lá qual for o motivo/sentimento e optam pela bombonieri do cinema, diferindo bastante dos hábitos da clientela que frequenta cinemas localizados fora dos grandes centros e com menor poder aquisitivo.

É interessante observar que a bomboniere divide a opinião dos Exibidores, pois enquanto alguns acreditam num cardápio enxuto e operacionalmente simples, outros investem pesado na diversificação para satisfazer os mais distintos níveis de exigência.

Qual é o caminho correto?

A resposta é “simples”, pois depende da margem de contribuição de cada modelo, realidade geográfica, perfil do consumidor e integração com o conteúdo exibido.

 

Seção Fechada

Seção Fechada

 

 

 

 

Algumas situações, o distribuidor não quer dividir o preço do ingresso com o exibidor, ou este se recusa a programar um filme por razões específicas. Isso é comum quando o lançamento do filme possui uma janela de exibição muito curta em relação ao DVD ou VOD, fazendo com que os exibidores não tenham interesse em fazer uma programação padrão para este conteúdo.

Nestes casos, o distribuidor vai comprar as seções programadas para o filme, pagando ao exibidor um valor fixo para a exibição. O distribuidor fica com 100% do preço do ingresso, sendo um negócio bom para ambas as partes.

A aplicação do conceito de sala fechada, normalmente, se dá com filmes de menor destaque e direcionado para um público específico, sem a necessidade de um grande número de salas e um cronograma de exibição distinto do convencional. Uma outra situação é quando o conteúdo visa alavancar outra iniciativa, tal como uma série, game ou outros tipos de entretenimento, forçando o distribuidor desenvolver um planejamento adequado às ações e iniciativas pós lançamento, que não necessariamente coincidem com os objetivos do exibidor.

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DVD, Blu-Ray, VOD ou download de vendas ou aluguel

Blu-ray

 

 

 

 

 

 

Logo após o lançamento do DVD / Blu-ray, temos o filme no Vídeo por assinatura (VOD) e VOD por transação (iTunes).

Como mencionado, alguns filmes são oferecidos via VOD quase que ao mesmo tempo que seus lançamentos de cinema. Isso é muito normal com produções menores, que saltam da telona para a TV, tablet e smartphones muito rapidamente.

O tempo médio da janela de exibição de cinema é (ou deveria ser) de 16 semanas, com os exibidores ansiando por grandes lançamentos que permaneçam exclusivo para as salas de cinemas pelo maior tempo possível, pois assim a procura pela telona não se dilui com o iminente lançamento do conteúdo na tela da TV.

Uma questão polêmica esta janela, mas a realidade é que quem busca pelo maior impacto e efeitos, não se contenta com nada menos que uma grande tela de cinema. Nos filmes para a família ocorreria a propensão de aguardar para assistir em casa, se a janela não fosse longa, pois não optariam por gastar uma parte expressiva do salário numa ida ao cinema se o mesmo filme estivesse disponível na locadora por R$15.

 

Serviços de TV e assinatura VOD

Serviços de TV e assinatura VOD

 

 

 

 

Após as janelas de cinema, DVD e locação o filme chegará na TV por assinatura ou em serviço de streaming por assinatura do Netflix.

Os canais por assinatura para adquirir seus filmes, compram pacotes com diversos conteúdos, sendo apenas alguns filmes recentes e, a grande maioria, são títulos que há muito tempo deixaram as salas de cinema. Essa metodologia se repete em cada uma das janelas de exibição em este conteúdo percorrerá, pois é dessa forma que o distribuidor mantém seus lucros e/ou recuperação do investimento, sendo uma maneira de continuar a gerar receitas também com o estoque de títulos menos atraente.

A forma de estender a vida útil de uma produção é negociar em pacotes, pois assim para adquirir as novidades as TVs são obrigadas a, também trabalharem os títulos mais antigos. Algo semelhante vai acontecer com Netflix, que também licencia muitos filmes em blocos, sendo uma maneira de manter vivo o conteúdo até que a conta feche no azul.

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Aviões

avião

 

 

 

 

 

Outra saída de tela pequena está no ar. Filmes também são licenciados para os displays dos assentos de avião. Os conteúdos tendem a ser mais recentes e algumas Cias. aéreas exibem versões editadas para evitar cenas de nudez, acidentes e extrema violência, tornando o conteúdo acessível à todas as faixas etárias.

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Capital de Risco

capital de risco

 

 

 

 

 

 

O financiamento é um aspecto importante da realização de qualquer filme. Sem dinheiro, filmes não podem existir e a dificuldade em levantar capital para qualquer empreendimento é grande, ainda mais quando o retorno não é garantido e a cronologia completamente desconhecida.

Capital próprio – Muito comum quando existe a, quase, certeza do sucesso da produção ou, exatamente o contrário, quando ninguém quer aportar recursos no projeto e somente o produtor acredita em sua viabilidade.

Pré-venda – São contratos pré-arranjados e executados com distribuidores antes do filme ser produzido. Estes acordos baseiam-se na força do potencial de comercialização e de vendas do projeto em cada região alvo. Um distribuidor irá gerar um valor para o projeto em função do roteiro, talento da equipe de produção e elenco, bem como as ações de marketing e, em seguida, permitir que se tome um empréstimo bancário, se necessário, usando o contrato de pré-venda como garantia. Pré-venda também pode implicar em pagamento direto do próprio comprador.

 

Incentivos Fiscais

 Incentivos fiscais

 

 

 

 

 

A nossa legislação permite que os produtores busquem subsídios para os custos com a produção. Incentivos fiscais exigem um produtor para contratar equipe de profissionais, aluguel de equipamentos e pagamento de serviços locais. Créditos fiscais são baseados em um processo de candidatura e são muitas vezes demorados e difícil para adquirir, mesmo assim temos uma enorme quantidade de produções financiadas por esse caminho. Uma aliada da produção nacional é a quota de tela imposta pela ANCINE aos Exibidores Brasileiros.

 

Merchandising

Merchandising

 

 

 

 

 

 

A primeira ação reconhecida de merchandising em um filme foi com Walt Disney e seu licenciamento de Mickey Mouse e os Três Porquinhos.

Camisetas, bonés, bolsas, lancheiras e brinquedos estão entre as ações óbvias de merchandising. Um conteúdo pode até não ter sido concebido, visando ações de merchandising, mas é imprescindível se resguardar para eventuais oportunidades não imaginadas, que muitas vezes são originadas pela forma com que o conteúdo foi percebido pelo público em geral ou em nichos particulares.

Em algumas situações o retorno com merchandising supera todos os outros esforços de geração de receitas, portanto este sempre será um caminho natural para produções que exploram os sentimentos e percepções da audiência.

 

Product Placement

 product placement

 

 

 

 

Consiste em inserir, de forma natural, um produto em cena, tornando-o parte do contexto e do ambiente dos personagens, como se o produto fizesse parte da trama.

Um exemplo clássico de product placement é E.T. – O Extraterreste, com o produto Reese’s Pieces da Hershey Company. O caso ganhou fama por envolver a consagrada M&M’s e a ainda desconhecida Reese’s Pieces. Steven Spielberg procurou primeiro a M&M’s, mas eles não se interessaram. Spielberg decidiu então filmar a cena usando a concorrente direta, os Reese’s Pieces da Hershey e depois de finalizar o filme, ele procurou a Hershey, que aceitou investir US$ 1 milhão no filme em troca de usar cenas do longa em suas campanhas. O retorno foi imediato e, apenas duas semanas após o lançamento de E.T., a Hershey já computava um crescimento de 65% nos lucros dos Reese’s Pieces.

 

Turismo

turismo

 

 

 

 

 

 

Ao retratar certas localidades o filme desperta o interesse no público em ver de perto alguns lugares, gerando um fluxo de turistas e consequente retorno ao local das filmagens. Isso, na maioria das vezes, não é acidental e conta com benefícios e incentivos dos administradores das regiões onde se desenrola a trama.

Um clássico em preferência de todo o mundo é a visitação dos parques temáticos e suas atrações inspiradas em alguns blockbusters. Ambos Disney e Universal têm seus próprios parques, com inúmeras atrações, que inserem os frequentadores nas cenas mais radicais dos seus filmes.

Digital Signage, Publicidade, Promoções e Eventos

digital signage

 

 

 

 

 

A quantidade de possibilidades de gerar receitas, tanto para o Distribuidor quanto para o Exibidor são extensas, mas nem por isso fáceis de executar e viabilizar. Uma dificuldade natural de consolidar as ações de marketing está relacionada à enxergar apenas a árvore, quando deveria visualizar toda a floresta, pois uma sala de cinema isoladamente não desperta o interesse dos grandes apoiadores e patrocinadores e, montar a rede completa sempre esbarrou na incompatibilidade de ter Exibidores concorrentes sentados na mesma mesa.

A Flix está mudando este cenário, ao menos com os Exibidores maiores e, quem sabe isso obrigue os menores se unirem para ocupar um lugar ao Sol, mas isso é uma outra história…

 

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Profissional com mais de vinte e cinco anos de atuação nas áreas de entretenimento, broadcast e serviços corporativos, com atuação direta em ações de desenvolvimento e estruturação de negócios no Brasil e exterior, startups e fusões.

Vivência efetiva como Executivo e Consultor, com destaque para os projetos da Quanta, MasterImage 3D, Telem, Universal Networks, TVA, TV Brasília e TV Goiânia. Empresas onde exerceu efetiva gestão nas definições estratégicas e desenvolvimento dos negócios.

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