Beacons: Uma tendência pouco explorada no Digital Signage - LFMORAU

Beacons: Uma Tendência Pouco Explorada No Digital Signage

Beacons: Uma tendência pouco explorada no Digital Signage

Em minha última publicação citei de forma sucinta a aplicação dos beacons como elemento complementar e que podem fazer toda a diferença em projetos de sinalização digital, inseridos nos modelos de negócio que buscam um posicionamento de mercado omnichannel.

Num período de pouco mais de dez anos, o digital signage promoveu uma incrível transformação na forma como as empresas se comunicam com seus clientes e a crença é de que, com o acesso facilitado e o custo reduzido das tecnologias de ponta, além da maior disponibilidade de mão de obra qualificada, teremos anos promissores e de grande inovação pela frente.

Os primórdios desta tecnologia visava a substituição de conteúdos antes impressos e de custo elevado por displays digitais e multifuncionais. Os materiais exibidos ganharam dinamismo, controlados via software, bastando um simples comando para substitui-los ou enriquece-los com efeitos sonoros e outros elementos visuais.

Em muitos segmentos, é comum observarmos a conquista de resultados com a sinalização digital somado à recursos adicionais como a realidade aumentada e virtual, sensores de movimento, telas sensíveis ao toque, integração com outras plataformas e dos beacons, tema central deste artigo.

O que são beacons?

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Fonte: estimote.com

Beacons são pequenos aparelhos que emitem sinais, por meio da tecnologia Bluetooth 4.0, diretamente a dispositivos que contam com alguma aplicação receptora capaz de traduzir este sinal e convertê-lo em informação para que uma conexão entre esta aplicação e o usuário seja estabelecida.

Menos precisas, mas, pelo menos por enquanto, mais populares, as redes wi-fi também rendem informações e ofertas mais ou menos personalizadas graças aos cadastros preenchidos nos pontos de venda em troca de acesso gratuito.

O beacon se torna funcional quando integrado a sensores, displays e outras tecnologias de transmissão de dados como 3G/4G, wi-fi e GPS. Além disso, é dependente de uma inteligência que coordene toda a estratégia de conteúdo para a criação dos gatilhos que estimulem o engajamento do público-alvo e a conquista de resultados.

O BEACON PRECISA DESTA INTEGRAÇÃO, afinal de contas, ele não é responsável por qualquer tipo de conteúdo e sim pela identificação de objetos receptores do seu sinal para que o processo interativo se inicie.

Como os beacons funcionam?

Sua funcionalidade pode ser passiva ou ativa:

Passiva: se trata de uma relação na qual há apenas o registro de dados que foram obtidos na área coberta pelo sinal do beacon (armazenando esta informação em um banco de dados externo). Podemos considerar esta aplicação como integrante da tal da internet das coisas, já que seu objetivo está na captação de dados como: média das pessoas que olharam para determinado display, o tempo médio gasto no local, faixa etária, sexo e o até mesmo o estado emocional: felicidade, surpresa, tristeza, indiferença, nervoso.

Esta estratégia ajuda a precificar as inserções na área analisada, integrando as campanhas com avançadas técnicas de segmentação, de acordo com as métricas obtidas.

Ativa: o beacon capta o sinal e inicia alguma atividade no dispositivo do usuário através de um aplicativo. Além disso, podemos considerar situações quando existe interações de usuários com sensores de presença ou displays com sensibilidade ao toque, sendo estes comandos, os gatilhos para o beacon iniciar sua operação.

Função ativa com integração mobile

Assistam o vídeo abaixo, publicado pelo portal CNET, que mostra claramente como a tecnologia opera, além do seu impacto:

Com base no vídeo acima, podemos concluir o seguinte:

  1. Os beacons enviam um sinal para quaisquer dispositivos que contarem com o aplicativo de determinada loja instalado ou integrado em alguma rede social. O aplicativo identifica que o sinal recebido é o XPTO;
  2. O aplicativo se comunica com um servidor, informando que o usuário recebeu um sinal XPTO do beacon;
  3. O aplicativo fica responsável em traduzir o significado do sinal XPTO (cliente frequente, membro platinum do programa de fidelidade e que, naquele exato momento está próximo da seção de cervejas especiais no ponto de venda localizado na geografia XYZ);
  4. Feita a tradução do sinal e, se o sistema julgar necessária a promoção de alguma interação com o cliente, uma mensagem personalizada será enviada para seu dispositivo móvel (- Olá, cliente Fulano. Sua cerveja favorita está em estoque! Não perca esta incrível oportunidade de levá-la para casa. Aproveite este cupom de desconto no fechamento de sua compra, válido nas próximas 24h);
  5. E por fim, um relação comercial pode ser estabelecida.
Função ativa sem a necessidade de integração mobile

Nem sempre o usuário estará com seu dispositivo móvel em suas mãos ou mesmo conte com um aplicativo instalado, porém, isso não impede que os beacons tragam resultados interessantes.

Outra forma de ação ativa desta tecnologia é quando um usuário interage com um display equipado com um sensor de presença ou tela sensível ao toque, capaz de identificar suas características físicas para que algum tipo de conteúdo personalizado seja exibido.

Por exemplo: Se um homem de 25 anos parar em frente de uma tela em um shopping center, o beacon identificará “quem é” a pessoa que está olhando aquele display com o auxílio de sensores e, através da tradução deste sinal que é processado em um servidor externo, o conteúdo a ser exibido será adequado àquele perfil. Logo, é bem provável que o sistema module e exiba conteúdos ligados a moda masculina enquanto se fosse uma criança de até 10 anos de idade, provavelmente exibiria informações sobre o lançamento de um novo brinquedo.

Beacons e Digital Signage? Tudo a ver!

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Em um futuro não muito distante, muitas lojas contarão com beacons em suas instalações com o simples objetivo de localizar seus clientes e notificá-los com informações e promoções em tempo real através de seus dispositivos móveis. Além disso, os beacons serão fundamentais para elevar a experiência de consumo em conjunto com a sinalização digital nos pontos de venda, enviando sinais tanto para os aplicativos quanto para os players instalados nos displays. Desta forma, um cliente pode receber uma oferta em seu smartphone ao mesmo tempo que um conteúdo relacionado ao produto é exibido em outro formato no display mais próximo – um vídeo, ficha técnica, curiosidades, reviews de usuários, etc.

Com o apoio desta tecnologia, os varejistas terão excelentes oportunidades de utilizar sua base de dados no momento mais oportuno, isto é, quando o seu cliente está na loja e com boa inclinação para consumir.

Além disso, o digital signage é um caminho muito interessante para varejistas que queiram investir na tecnologia de beacons e não gostariam de contar com a dependência dos recursos mobile para a criação de campanhas de engajamento. Neste caso, os displays em uma instalação farão a vez da tela de um smartphone e a geração de conteúdo se dará com base nos dados captados pelos sensores que estarão na área de cobertura do usuário.

Alguns obstáculos que precisarão ser superados

Para que o uso desta tecnologia se consolide, é importante ressaltar o aprimoramento de alguns aspectos em sua aplicação.

Do ponto de vista do negócio: Não adiantará nada investir em tecnologia de ponta se ela não estiver integrada a uma sólida estratégia de marketing. É preciso entender que os beacons são meios para coleta de dados e criação de gatilhos que podem potencializar o ganho de capital, contudo, se o modelo de negócio do varejista for falho e ele não souber o que fazer com estes dados, eles não valerão nada.

Do ponto de vista tecnológico: A necessidade de ter um aplicativo instalado para cada varejista que o usuário queira interagir pode não ser uma boa ideia, pelo menos, não consigo imaginar esta possibilidade como algo prático.

Por outro lado, acredito que o piloto que o Facebook iniciou um com alguns varejistas nos Estados Unidos, fornecendo-lhes beacons gratuitamente para testar uma nova funcionalidade da rede social, o Place Tips, possa fazer mais sentido.

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Facebook Place Tips

Este é um recurso que segue a linha do Snapchat Live, onde o usuário pode postar em uma linha do tempo contextualizada, ou seja, segmentando a informação para grupos de interesse mútuo na rede social.

Amparados por um canal que, praticamente, todas as pessoas super conectadas utilizam, os varejistas podem ter encontrado um caminho interessante para que a integração dos beacons com a experiência mobile ocorra de maneira fluída e prazerosa para o usuário.

Acredito que todos sairão ganhando com esta funcionalidade, o usuário, o varejista e claro, o Facebook.

Do ponto de vista do usuário: A linha é muito tênue entre gerar engajamento e a aversão em relação ao excesso de conteúdos publicitários no dispositivo móvel do usuário que podem ser considerados invasivos. A prática não demanda apenas excelentes recursos tecnológicos, e sim, profissionalismo e bom senso.

Se o planejamento do ponto de vista do negócio for ruim, certamente, a experiência do consumidor também será. Sendo assim, ele desinstalará o aplicativo de seu smartphone e o varejista terá um grande trabalho para reconquistar sua confiança para que ele volte a utilizar os recursos tecnológicos oferecidos por ele.

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Profissional de vendas/marketing, pós-graduado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e altamente especializado em tecnologias para o mercado audiovisual. Conta com mais de 10 anos de experiência na área, tendo passado por diversas empresa como Gameloft, Telem e Quanta DGT. Atualmente é Gerente de Vendas da Quanta DGT, principal integradora do processo de VPF (Virtual Print Fee) no Brasil, responsável pela digitalização de mais de 1.000 salas de cinema no país.

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