Como o Big Data Poderá Ajudar os Exibidores de Cinema? - LFMORAU

Como o Big Data Poderá Ajudar os Exibidores de Cinema

Como o Big Data Poderá Ajudar os Exibidores de Cinema?

Baseada nas informações contidas num estudo publicado pelo IDC (International Data Corporation), em 2020 atingiremos cerca de 40 mil exabytes, algo equivalente a 100 milhões de vezes a quantidade de livros já escritos até a data presente.

É um volume gigantesco de informações que teremos e já temos à nossa disposição. Informações que, se bem organizadas e utilizadas, podem salvar a vida de muitos negócios.

De forma bem objetiva, uma empresa que tira proveito do Big Data (grande quantidade de dados disponíveis na internet) busca melhorar e agilizar seus processos de trabalho, tomar as melhores decisões, ser mais assertivo sobre as tendências do mercado em que atua, obter respostas para o comportamento e as expectativas dos seus consumidores.

Pense na multiplicidade de dados que poderiam ajudar um exibidor a tomar a melhor decisão sobre o filme mais adequado a ser reservado, seu período de exibição, a quantidade de sessões e os complexos que potencialmente ofereceriam melhor desempenho de público e financeiro.

São diversas variáveis que representam a possibilidade de tomar decisões mais precisas e, principalmente, antecipadas à concorrência. Afinal de contas, em um ambiente de extrema competitividade, estas decisões podem ser o divisor de águas entre o sucesso e a estagnação.

Igualmente, para quem produz conteúdo, o Big Data pode ser e é fundamental.

O exemplo mais famoso é o da Netflix e seu trabalho constante para analisar dados, estudar o comportamento dos seus usuários, o que eles gostam de assistir, em qual horário, quais são seus atores e diretores favoritos e etc.

Seus algoritmos são tão bem elaborados para distribuir o conteúdo certo, para a pessoa certa, na hora certa, em que pontos de um filme há maior frequência de pausas, avanços… Enfim, hoje ela pode afirmar categoricamente que tem totais condições de conhecer os hábitos de cada um de seus clientes.

E em qualquer indústria, ganha a corrida e se destaca de seus concorrentes quem tiver as melhores informações e saiba muito bem o que fazer com elas.

O Poder da Previsão

Continuando com o exemplo do Netflix, o grande diferencial do seu sucesso está justamente na sua competência de prever o que acontecerá com qualquer conteúdo disponível de seu acervo de filmes, séries e documentários.

O Big Data foi elemento fundamental para o sucesso de House of Cards que é um dos carro-chefe da empresa e uma produção exclusiva da plataforma. A série nasceu com base na análise de diversos dados que foram coletados em sua base de clientes, juntando com as avaliações super positivas de filmes estrelados pelo ator Kevin Spacey assim como as produções dirigidas por David Fincher, responsável pelo “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “A Rede Social”.

Outro dado relevante foi o sucesso da versão britânica da série exibida na década de 90 e já distribuída pelo Netflix, servindo de inspiração para a produção da versão norte-americana.

É claro que o apontamento aqui é extremamente superficial, todavia, foram estes os principais indicadores de que o House of Cards que atualmente assistimos, contaria com grandes chances de ser um sucesso. E esse exercício de futurologia ajudou o Netflix a não investir com tudo em um mercado que tinha pouco expertise.

E qual foi o resultado desta empreitada?

Quatro indicações ao Emmy só na primeira temporada, principal prêmio da televisão norte-americana, isso sendo um conteúdo que não é exibido em nenhum canal convencional, exclusivo de um aplicativo que depende da Internet.

Outro exemplo do bom uso do Big Data e a Netflix é a série “Demolidor” (Daredevil).

Durante um longo período analisando hábitos dos clientes através das ferramentas de dados, a Marvel e a Netflix cruzaram diversas informações sobre os fãs dos quadrinhos, dos filmes de super-heróis e definiram a viabilidade de produzir séries baseadas nestes personagens. Ou seja, a saga precursora do estúdio com exclusividade do Netflix, estrelada pelo advogado cego só está sendo contada porque ambas as empresas concluíram que seus fãs desejavam muito por isso.

O fruto deste sucesso foram outras produções como Jessica Jones, Luke Cage recentemente e as já programadas séries do Justiceiro e do Punho de Ferro para 2017.

O Big Data poderá Ajudar a Programação das Salas de Cinema?

Por que não?

A premissa da Netflix ou de qualquer empresa que utilize o Big Data no dia a dia é bem simples:

O acesso destes dados deve ser veloz, de fácil localização e com excelente taxa de processamento. Quanto mais tempo o usuário levar para avaliá-los e chegar à uma conclusão, haverá depreciação, seu negócio perderá o diferencial competitivo e os dados não terão a mesma relevância.

Uma solução em Big Data visa, justamente a organização de um grande volume de dados desorganizados e de diversas fontes para o desenvolvimento do trabalho de inteligência do negócio.

É uma fábrica de insights!

Recentemente, tive a oportunidade de conversar com um programador de uma grande rede e sim, diversos dados e fatores são levados em consideração para que um filme seja reservado e suas sessões programadas, entretanto, é inegável a intensidade e desgaste deste trabalho, caótico em alguns casos, por conta do grande volume de dados existentes provenientes de diversas fontes a serem analisados num curto espaço de tempo.

Prever a quantidade de espectadores, a receita de um lançamento futuro pode até ser fácil para um grande blockbuster que todos contam os dias para o lançamento, mas e quando o filme não conta com essa característica?

A boa notícia é que já existem empresas dedicadas nessa questão, desenvolvendo soluções para minimizar este gargalo, facilitando a vida do programador do cinema. Algumas são capazes de avaliar uma grande quantidade de dados para prever se um lançamento de um filme fará sucesso ou não, com base no comportamento dos cinéfilos nas redes sociais ou comparando com o resultado alcançado em produções similares exibidas no passado, considerando diversas métricas a serem analisadas para a construção de diversos cenários para o programador do cinema.

Pensando em como isso poderia trazer melhores resultados para o exibidor, é preciso avaliar quais são os dados de maior relevância em suas tomadas de decisão de programação.

De um lado estão informações relacionadas aos resultados de bilheteria, a localização de seu complexo exibidor, gêneros que mais se destacam por complexo, as concessões pagas aos distribuidores, o perfil dos filmes exibidos (blockbusters, autorais) e o lucro da bomboniere; Estes são dados básicos enquanto do outro lado podemos considerar como dados mais avançados os resultados de campanhas em mídias sociais (texto, áudio e vídeo), e-mail marketing e engajamento com o digital signage, sendo os dois primeiros responsáveis pela conversão do cliente em relação ao que entrará ou está em cartaz e até mesmo o incremento de receita da bomboniere – que é onde o exibidor ganha dinheiro! –  onde o digital signage se aplica muito bem.

Um outro indicador está na compra online de ingressos, este modelo de negócio poderá ser um grande alavancador para os exibidores na obtenção destes dados, sobretudo comportamentais de seus clientes. Sem falar na conveniência e praticidade desta operação, onde o exibidor conseguirá facilmente todos os dados de seus clientes, que filmes gostam, onde moram, quanto tempo navegam em sua página, preferências por 2D, 3D ou IMAX, seu meio de pagamento favorito e qual dispositivo utilizou para a realizar a transação.

Embora, antes de qualquer investimento em tecnologia, há uma tarefa muito importante e árdua a ser realizada – principalmente quando pensamos em alguns modelos de negócio de exibição existentes no Brasil – que é a profissionalização e a descentralização do poder de algumas áreas estratégicas, pois se a empresa não estiver totalmente “online” , dificilmente os resultados envolvendo coleta e análise de dados apresentará resultados satisfatórios.

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Profissional de vendas/marketing, pós-graduado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing e altamente especializado em tecnologias para o mercado audiovisual. Conta com mais de 10 anos de experiência na área, tendo passado por diversas empresa como Gameloft, Telem e Quanta DGT. Atualmente é Gerente de Vendas da Quanta DGT, principal integradora do processo de VPF (Virtual Print Fee) no Brasil, responsável pela digitalização de mais de 1.000 salas de cinema no país.

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