Quando as Salas de Cinema se tornam Commodities... - LFMORAU

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Quando as Salas de Cinema se tornam Commodities…

O tão falado futuro está mais presente do que nunca!

Embora o discurso da maioria dos Formadores de Opinião dos Estúdios e da Exibição diga o contrário, a verdade é que a indústria está enfrentando desafios e o resultado de bilheteria está “flat”, apenas turbinado pelo o aumento de preços.

A época de ouro dos Cine Multiplex já faz parte do passado, pois agora não basta programar o filme e organizar a fila da pipoca. Os Exibidores agora estão se desdobrando para atrair o público, com telas gigantes, som imersivo, assentos 4D e opções gastronômicas.

Além da TV, DVD, VOD, Netflix, a Sala de Cinema está sendo bombardeada por outras plataformas e tecnologias, que rivalizam pelo conteúdo antes exclusivo, pois as janelas de exibição estão encolhendo e, até mesmo inexistindo em algumas situações.

Exemplo: O filme LOGAN ficou em cartaz nos cinemas de até meados de Abril de 2017 e já está disponível em serviços de locação virtual como o Google Filmes e Playstation Video.

As Autoridades no assunto sempre apostaram no charme e glamour da telona versus todas as demais opções, mas agora isso se mostra insuficiente e o Marketing, desprezado pela maioria, assume um papel de destaque na definição de estratégias muito além das pré-definidas pelos Estúdios de Cinema, que sempre atuaram de forma massificada, sem atentar aos detalhes, necessidades e influências das mais distintas geografias que circundam as diferentes Salas de Cinema.

O que está claro é que os Exibidores podem e devem oferecer mais que filmes e isso conduz, como já falado em outros artigos, a necessidade de mudar o conceito de Sala de Cinema para Sala Multiuso ou Centro de Entretenimento.

Os Complexos se qualificam e os espectadores pagam por seus ingressos on-line e seus telefones são escaneados na entrada para as salas. Além disso, vários complexos oferecem lanches com mais estilo, aproveitando a temática do filme exibido, a audiência pode até pedir comida e vinho enquanto relaxam em seus assentos reclináveis de couro.

Em especial nos EUA, mas não só nos EUA, os complexos têm opções cada vez mais inovadoras e dispendiosas, pois se está tentando tudo o que for possível, com assentos 4D, realidade virtual, competição de games, eventos esportivos e até mesmo transmissões ao vivo.

A reinvenção dos cinemas é uma questão de sobrevivência e atrair o público mais jovem que gradativamente vinha se afastando das telonas, mas agora começa a dar sintomas de recuperação, com um aumento inesperado de jovens espectadores.

Nos dados disponíveis (EUA e Canadá – MPA – 2016), o público frequente aumentou após quatro anos consecutivos de declínio no número de espectadores frequentes de 12 a 17 anos e de 18 a 24 anos.

 

Realidade virtual

Uma inovação tecnológica que pode mudar o atual formato do negócio – Produção X Distribuição X Exibição. A possibilidade de apresentar o conteúdo com muito mais imersão e intensidade faz com que se busque um caminho para integrar a tecnologia às salas de cinema. Resta saber se isso é rentável ou, até mesmo necessário.

Até agora muitos obstáculos impedem a VR de se adequar a essa tendência (ou desejo?), incluindo o alto custo dos equipamentos e a falta de conteúdo convincente.

Mesmo assim, Hollywood está adaptando filmes para videogames de realidade virtual e desenvolvendo ações de divulgação para alguns conteúdos, em adição aos esforços tradicionais de marketing.

A tecnologia VR permite criar conteúdo para o público interagir de forma não possível antes e esse potencial está sendo aproveitado pelos Estúdios de Hollywood.

Um fato concreto é a IMAX com seus “VR Experience Centers”, que se tornarão parte dos complexos de cinema. Em Los Angeles os clientes pagam US$ 7 a US$ 10 por uma experiência de realidade virtual, incluindo jogos baseados em filmes como o filme de ação “John Wick”.

Agora fica a expectativa de como se desenrolará a relação com os Exibidores.

Será com estações VR no lobby dos complexos ou em centros próprios?

Vale ressaltar que o VR ainda necessita de aprimoramento em alguns aspectos. Um deles é o custo do hardware, pois os que apresentam melhor desempenho custam mais de 500 dólares. Outra necessidade é a ampliação da oferta de conteúdos qualificados que atendam às expectativas do usuário, atentando para o fato que sessões muito longas de VR costumam registrar desconfortos e náuseas para muitas pessoas.

 

Assentos 4D

Muito se falou, mas somente agora os assentos 4D começam a caminhar fora do mercado Asiático, onde foi criada a solução. Nos EUA essa experiência custa em torno de US$ 25 por um bilhete para utilizar uma poltrona que se movimenta, com efeitos de vento, água e odor, para simular o que está acontecendo na tela.

A ideia da 4DX, criada pela empresa sul-coreana CJ 4Dplex, é fazer com que as pessoas se sintam como se fossem parte da ação. É um pouco como uma atração num parque temático na Califórnia ou Flórida.

Outras versões estão disponíveis, tais como a MX4D da Americana MediaMation, a D-Box Canadense e a 4D E-motion da Lumma Argentina.

O custo ainda é o maior empecilho para a expansão dessa solução e estamos falando de EUA, Canadá e Europa, pois como todos sabem as nossas taxas e impostos distanciam a solução 4D ainda mais.

 

Torneios de Videogame

A busca por alternativas acaba encontrando soluções que agreguem valor à infraestrutura dos complexos e, principalmente, tragam resultados financeiros.

Vários complexos oferecem conteúdos alternativos na telona e, também, otimização das instalações para atrair um público não usual nos horários de pouca representatividade para o conteúdo cinematográfico.

Os torneios de games já presentes na web e PayTV desembarcam nas Salas de Cinema, aproveitando a infraestrutura física e, com a adequação dos serviços de rede encontra um palco perfeito para atrair seus adeptos, oferecendo conforto e a necessária tecnologia.

“Esse é o sonho de cada teatro”, disse Jamele. “Isso lhes dá uma fonte alternativa de renda, que é o que eles precisam”.

 

O Romantismo das Salas exclusivas de Cinema chegou ao Fim?

A resposta passa por uma série de variantes e condicionais, pois faz todo o sentido para muitos manter suas salas de cinema apenas para o conteúdo cinematográfico, sem se preocupar em diversificar e/ou buscar por soluções complementares, tais como as apresentadas nesse artigo.

Nesse grupo de empreendedores temos a predominância dos apaixonados pelo Cinema e o orgulho em apresentar um histórico, muitas vezes, de gerações à serviço da sétima arte.

A indústria da exibição resiste à evolução da indústria de produção, mas tudo mudou com a digitalização de seus espaços e a diversidade de opções, competindo com seus espaços para apresentar o que antes era só seu – o conteúdo cinematográfico.

Num passado nem tão distante a dúvida reinante na mente dos Exibidores era se o filme seria bom ou não, mas agora precisa se resguardar de um sem número de fatores, com janelas de exibição ameaçadoras ao seu negócio.

 

Qual a Importância do Marketing?

Como já falado nesse artigo a preocupação com o marketing foi por muito tempo (e ainda é para alguns Exibidores) algo relacionado aos Distribuidores e Estúdios, que definiam (ou ainda definem) o que deveria acontecer e como se comportar com cada tipo de conteúdo.

Ações massificadas sem atentar às peculiaridades regionais e micro localidades, com suas necessidades, patrulhamentos entre outros fatores, pois decidia o que é melhor para o Exibidor, independentemente às suas expectativas. Somado a isso os agentes adicionais que influenciam a audiência, tais como tecnologia, infraestrutura, serviços diferenciados, eventos extra cinema, sem falar no difícil equilíbrio entre os vários conteúdos de diferentes Distribuidores.

Se o Marketing do Exibidor já deveria ser atuante e independente, agora toma uma dimensão muito maior e passa a exigir que seja praticado com grande conhecimento de causa, sendo capaz de dimensionar e validar a infraestrutura, conteúdos alternativos, serviços adicionais, oportunidades de mercado, além de mensurar resultados, para cada complexo e assim oferecer o que o mercado necessita, evitando a comoditização nas Salas de Cinema.

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Profissional com mais de vinte e cinco anos de atuação nas áreas de entretenimento, broadcast e serviços corporativos, com atuação direta em ações de desenvolvimento e estruturação de negócios no Brasil e exterior, startups e fusões.

Vivência efetiva como Executivo e Consultor, com destaque para os projetos da Quanta, MasterImage 3D, Telem, Universal Networks, TVA, TV Brasília e TV Goiânia. Empresas onde exerceu efetiva gestão nas definições estratégicas e desenvolvimento dos negócios.

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